Reflexões
POSIÇÕES ESCLARECEDORAS
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Para podermos compreender um pouco do que se está a passar no meio Protestante e Evangélico teremos de saber que existem actualmente três atitudes em relação à Bíblia. Há um grupo que defende uma nova abordagem das Escrituras, de modo a conciliar o mais possível o Seu ensino com as ideias e conceitos hoje em voga quer no mundo científico, quer no mundo politico-filosófico. Para este grupo não importa propriamente o que a Bíblia diz, mas sim o que os homens dos nossos dias pensam e dizem, mesmo que sejam abertamente ateus ou agnósticos. Assim, propõem novas e diversas "leituras" dos textos bíblicos. "Leituras" que não são mais, como é óbvio, do que meras distorções daquilo que na realidade lá se encontra escrito, adulterando totalmente a mensagem neles inserida. Outro grupo, também agora com um elevado número de aderentes, coloca a autoridade das experiências espirituais de cada um acima da Bíblia, dando nos seus cultos tanta ou maior ênfase aos testemunhos individuais do que à Palavra de Deus. A Bíblia é manuseada segundo as conveniências do momento, usando-se fora do seu contexto quase sempre os versículos que interessam para fundamentar o alvo que se quer atingir, seja cura fisica, prosperidade material, ou então servindo apenas de incentivo a uma entrega "voluntária" de dízimos e ofertas alçadas até à exaustão, ou até à penúria dos que se deixam ludibriar. Pela Graça de Deus há ainda um terceiro grupo que no meio Protestante e Evangélico permanece fiel a Cristo e à Sua Palavra, conservando a fé dos nossos antepassados, para os quais a Bíblia era a autoridade máxima e a globalidade dos Seus ensinos a única regra de fé e de acção quotidiana. Para este grupo não há que adaptar o texto bíblico, nem lê-lo em conformidade com as tendências filosóficas ou científicas dominantes; o nosso dever é pôr em prática na realidade concreta em que vivemos os ensinos imutáveis da Palavra de Deus. Cremos que há um equívoco perigoso na mente de alguns crentes. Os Evangélicos, pelo menos os que têm permanecido fiéis aos princípios da Reforma Calvinista, sempre defenderam e continuam a defender a separação entre a Igreja e o Estado. No entanto, isso nunca significou, nem pode significar a defesa de um Estado laico ou agnóstico. À luz da Bíblia Cristo é Senhor sobre todas as áreas da vida humana, sendo dever de todo o homem reconhecer essa soberania e viver em conformidade com tal conhecimento. Só pode haver bênção para uma nação quando o poder político reconhece e se submete à soberania de Cristo, pois bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor (Sal. 33:12). É portanto benéfico e conveniente que haja um bom entendimento e cooperação entre as igrejas e o estado, entre o poder espiritual e o poder temporal, desde que as igrejas mantenham a sua plena independência, permanecendo fiéis a Deus e à Sua Palavra. Só na independência e na fidelidade a Cristo as igrejas serão úteis ao estado e à sociedade, indicando-lhes para todas as áreas padrões correctos de vivência em conformidade com a vontade Divina. O perigo surge quando nesta cooperação entre as igrejas e o estado, o poder espiritual se deixa manipular e corromper pelo poder temporal, cessando assim de exercer a sua função de sal e luz na sociedade. Quando tal sucede, a Igreja falha totalmente na sua missão pois não só a soberania de Cristo deixou de ser reconhecida pela sociedade, mas também a própria Igreja já não é a Cristo que obedece como Senhor, mas sim a César. Aqui se inicia a escravidão à pior das idolatrias, aquela que conduz ao totalitarismo político.
O parecer do seu rosto testifica contra eles; e publicam os seus pecados como Sodoma; não os dissimulam. Ai da sua alma! Porque se fazem mal a si mesmos (Is. 3:9). Este texto de Isaías mostra bem como a Bíblia permanece actual e como as exortações de Deus feitas no passado ao Seu povo guardam toda a sua relevância nos nossos dias. Quando criticamos o estado de profunda decadência e degradação moral da sociedade contemporânea há ainda quem procure atenuar o negativismo da crítica afirmando que os males agora bem visíveis sempre existiram na sociedade mas, por hipocrisia, os homens procuravam escondê-los dos olhares dos outros. Sem dúvida que o pecado não tem a sua origem no homem moderno, ele faz parte da natureza humana desde que Adão caíu. Por consequência, em todas as épocas o pecado tem produzido e continuará a produzir os seus frutos na vivência humana. Contudo, a própria hipocrisia de que se acusa a sociedade de outrora revelava algum respeito e consideração para com certos padrões e princípios morais e éticos. Ou porque as pessoas tinham consciência de que o que faziam era mau; ou porque a sociedade possuía leis que, em conformidade com os padrões éticos revelados por Deus na Sua Palavra, puniam o mal, os homens em geral procuravam ocultar as suas perversas acções temendo quer a condenação social, quer a condenação penal. O que podemos constatar nos nossos dias é precisamente a extrema perversidade de que fala o profeta Isaías no texto acima transcrito: já nem sequer dissimulam os seus pecados, parece até terem prazer em ostentá-los, defendendo as suas práticas ignóbeis como se fossem perfeitamente naturais e saudáveis. E o mais grave, aquilo que de facto revela a extrema decadência e degradação da sociedade, é que já não têm de recear a condenação popular e muito menos a condenação penal. Pois por um lado as leis tornaram-se profundamente permissivas, devido ao laicismo que permeia toda a filosofia do Estado Moderno; e por outro lado, a influência corrosiva dos Média tem anestesiado ou depravado mesmo a sensibilidade do cidadão comum. Depois surge o SIDA, para além de outras epidemias afins, demonstrando uma vez mais a veracidade da Palavra de Deus quando afirma, Porque se fazem mal a si mesmos! E aqueles que apontam a hipocrisia do passado manifestam também agora como são hipócritas, ao prescreverem preservativos como panaceia para os males sexuais e a fim de evitar o SIDA. Quando só há um remédio eficaz para acabar com essas nefastas epidemias provenientes da Ira de Deus pairando sobre a perversidade e maldade dos homens: esse remédio é pôr em prática os ensinos bíblicos àcerca da fidelidade conjugal e da santidade do matrimónio.
Em Lucas 11:17 lemos uma afirmação do Senhor Jesus que suscitou em nós uma profunda reflexão: Todo o reino dividido contra si mesmo será assolado; e a casa dividida contra si mesmo cairá. Este é, com efeito, o flagelo que vem corrompendo e arruinando as sociedades contemporâneas. As nações encontram-se divididas contra si mesmas, fragmentadas em partidos que buscam, de um modo geral, apenas a satisfação dos seus interesses, ou seja, a conquista do poder, e na melhor das hipóteses têm como alvo a concretização dos seus sonhos ideológicos que quase sempre se revelam utópicos na prática e com consequências de facto nefastas. Porém, o que mais nos preocupa é vermos que esse espírito divisionista se tem instalado em muitas das nossas igrejas e organizações Evangélicas. Apesar das contínuas exortações apostólicas para que os crentes sejam unânimes entre si (Rom. 12:16), busquem partilhar uma mesma opinião (II Cor. 13:11), tenham um mesmo sentimento (Fil. 3:16; I Ped.3:8), e apesar de serem bem visíveis nas nações os efeitos nefastos da divisão, continua a haver nas igrejas quem não só a fomente na prática, mas também a defenda teoricamente. É óbvio que a unidade na igreja é impossível sem a acção do Espírito Santo que nos une e nos orienta a todos para um mesmo fim. Por isso, esta verdade leva-nos para uma outra realidade na qual reside, por certo, a raíz do flagelo divisionista: até que ponto os membros das nossas igrejas têm experimentado de facto a conversão, a obra regeneradora e a consequente presença e acção do Espírito Santo nas suas vidas? E, chegados aqui, temos de lançar um alerta: é muito fácil julgarmos os outros, mas não é a nós que compete tal juízo. O julgamento que Deus requer de cada um de nós é em relação a nós mesmos. Cada um de nós deve examinar-se a si mesmo a fim de verificar até que ponto tem sido influenciado pelo espírito deste século, tendo suscitado ou defendido mesmo à sua volta a divisão geradora da destruição.
ÀCERCA DO
MOVIMENTO CARISMÁTICO
O fenómeno chamado carismático coloca-nos na sua versão moderna, algumas interrogações que nos devem levar a reflectir sobre as suas causas. Sempre houve grupos que no seio da Cristandade se caracterizaram por um certo desequilibrio espiritual, o qual se reflectia na forma como adoravam a Deus nos cultos públicos. Esses grupos foram, porém, ao longo dos séculos constituídos por um número reduzido de pessoas mais ou menos marginalizadas em relação às Igrejas oficiais. O que há de novo nos nossos dias é a grande proliferação desse desequilíbrio espiritual no meio de toda a cristandade. Começou no meio Evangélico e agora penetrou já na própria Igreja Católica. Assim, quando falamos do movimento carismático, não podemos referir-nos hoje a um reduzido número de pessoas desequilibradas que louvam a Deus à sua maneira. É esta a realidade que nos preocupa e nos coloca algumas interrogações: como foi possível chegarmos a esta situação? Em Portugal, por exemplo, há já mais igrejas e grupos carismáticos do que genuinas igrejas Evangélicas. Pensamos em 5 causas que podem eventualmente explicar esta dramática situação:
Tudo isto nos leva a uma conclusão: se quisermos conservar o que ainda pode, no meio Evangélico, ser salvo desta grande vaga de decadência e corrupção da espiritualidade genuina temos de fomentar em cada crente convicções pessoais, as quais só podem ser fruto duma leitura contínua e sistemática da Escritura Sagrada, em espírito de oração e de submissão ao Espírito do Senhor, pois só Ele nos pode dar a luz necessária para vermos a verdadeira Luz que é Cristo, o Cristo da Bíblia.
Todo o processo demolidor do que é elevado e belo tem como alvo a sua substituição pelo que é degradado e vil. Mas para um tal processo obter êxito terá de passar por fases intermédias, em maior ou menor número, dependendo da reacção das instituições a abater. Para que sejam eficazes os passos a dar na evolução desse processo terão de ser muito curtos a fim de não assustarem aqueles que defendem e amam o que está em vigor. O ideal será proceder como ensina a fábula da rã que morreu cozida. Ela foi colocada numa panela com água fria e estava toda contente quando acenderam o fogão em cima do qual se encontrava a panela. O lume foi posto tão brando que ela nem se apercebia do aquecer da água e continuou alegre e feliz até morrer cozida. Com efeito são poucos os que nas Igreja Evangélicas se apercebem do perigo e das consequências nefastas dos primeiros passos, pouco perceptíveis, no sentido de substituir uma ordem tradicional pautada pelo que é espiritualmente elevado e sublime, por uma nova ordem que não é mais do que uma conformação com os novos tempos, com o mundo em que vivemos. O problema não seria grave, seria até normal e útil, se vivessemos numa sociedade sadia, pautada pelos valores morais, éticos e culturais da fé Cristã, uma sociedade onde a música e a arte em geral tivessem um papel positivo na educação e no espírito das pessoas. Mas como, infelizmente, nada disto acontece nos nossos dias, pelo contrário, a sociedade está totalmente controlada por contra-valores, por um espírito de revolta contra Deus que permeia toda a Arte contemporânea, colocando-a ao serviço do Anticristo, por isso qualquer passo no sentido duma conformação com o mundo actual terá sempre trágicas repercussões na liturgia e na vida das Igrejas.
Há no mundo e também nas Igrejas um bom número de pessoas intrinsecamente volúveis e que, por isso mesmo, vivem na obsessão de novidades. Têm horror àquilo a que chamam rotina e desejam viver continuamente na surpresa e na mudança. O desejo de mudança é perfeitamente legítimo quando consideramos que as coisas não estão bem ou poderiam estar muito melhor. Mas, neste caso, temos de assegurar que as mudanças por nós desejadas vão mesmo melhorar o que está mal e nunca piorar a situação. Hoje, porém, não estamos a falar da eventual necessidade de mudar o que é imperfeito, mas sim de pessoas que vivem obcecadas pelo desejo de mudanças apenas porque não suportam a chamada rotina. Um tal espírito nas nossas igrejas é sintoma grave, pois a vida Cristã autêntica tem de ser vivida no dia a dia, numa rotina consciente e desejada. O crente deve aprender a viver a sua fé habitualmente. Não é saudável quando os crentes vivem à custa de impulsos dados por campanhas evangelísticas ou programas especiais e depois faltam normalmente aos cultos habituais da Igreja a que pertencem. Esta fobia por mudanças vai ao ponto de levar alguns a afirmarem que a ordem tradicional existente nas Igrejas Evangélicas pode ser um travão ao louvor! Nós interrogamo-nos sobre o que é que as Igrejas Evangélicas têm feito até hoje nos seus cultos senão louvar e exaltar o nosso Deus? Como é que essa ordem tradicional pode ser um entrave ao louvor? Ou não quererão antes dizer a um certo tipo de louvor? Nesse caso concordamos que a ordem tradicional das Igrejas Evangélicas seja um travão à decadência e degradação a que assistimos na liturgia contemporânea.
Não podemos deixar de verificar com perplexidade e tristeza o processo de contínua degradação e aviltamento que tomou conta do meio Evangélico não só no nosso país, mas também no mundo inteiro. O problema é deveras complexo, atingindo a área essencial das convicções doutrinárias e também o aspecto formal ou litúrgico. É certo que ultimamente Deus tem levantado alguns homens no nosso meio a fim de lutarem ainda pela fé uma vez dada aos santos, pela defesa da sã doutrina, pelo Evangelho da Graça de Deus revelada em Cristo Jesus. Quer-nos parecer, contudo, que há uma reacção muito menor, eu diria mesmo uma ausência de reacção, perante a degradação litúrgica que está em curso. Algumas lentamente e por etapas, outras abruptamente, as igrejas Evangélicas estão a abandonar as suas formas tradicionais de culto a fim de adoptarem os métodos usados por organizações e grupos que se têm afastado da sã doutrina enveredando pelos caminhos ambíguos, senão mesmo erróneos do carismatismo moderno. Assim fazendo, as igrejas vão perdendo o espírito sadio, reverente e solene em que cultuavam a Deus, para adquirirem o mesmo espírito desequilibrado e doentio dos movimentos que transformaram a adoração num verdadeiro arraial popular, quase sempre sem o mínimo de dignidade e de decência. Pensamos ser tempo das igrejas que ainda não estão contaminadas por este vírus da irreverência, da informalidade e da superficialidade acordarem para o perigo, unirem esforços contra as infiltrações, cooperando entre si no alvo do fortalecimento mútuo, a fim de melhor defenderem e conservarem o seu património litúrgico. Esta cooperação é tanto mais necessária quanto é notório o facto das igrejas que se esforçam por conservarem a liturgia tradicional terem de enfrentar uma luta titânica contra as influências inovadoras e corrosivas provenientes de fortes grupos de pressão nacionais e internacionais. Importa que os crentes possuam um correcto e profundo conhecimento de Deus, um conhecimento cuja fonte terá de ser a Revelação que o Altíssimo faz de Si mesmo nas Escrituras.
Em João 4:23-24, o Senhor ensina à mulher samaritana uma verdade básica relativa à genuína adoração que deve ser prestada a Deus: ela deve ser feita “em espírito e em verdade”. Até alí Jerusalém era o lugar designado por excelência pelo próprio Deus para a adoração, mas agora em Cristo, o verdadeiro Templo do Deus vivo, a adoração tornou-se universal. Até alí, a adoração incluía ritos e danças que já não fariam sentido na Nova Aliança. O culto prestado ao Senhor durante a dispensação do Velho Testamento tinha muito ainda de “carnal”, pois não esquecemos que a Revelação de Deus foi feita de um modo progressivo até à plenitude dos tempos, quando o próprio Verbo Divino se fez homem a fim de manifestar aos homens a plenitude da Divindade e revelar também um novo modelo de adoração, mais perfeito e espiritual. Não é por acaso que vemos as danças e outros rituais completamente banidos na adoração do Novo Testamento. Jesus chorou, sofreu, teve fome e sede, esteve triste e alegrou-se no Espírito Santo, mas nunca lemos que Ele tenha dançado no templo ou fóra do templo quando Se dirigia ao Pai. Nem Ele dançou, nem os discípulos dançaram, nem há exemplo algum de danças nas igrejas do Novo Testamento. O que nos causa apreensão é vermos a tendência existente actualmente para deixarmos a simplicidade e a espiritualidade litúrgica da Nova Aliança a fim de voltarmos a um tipo de liturgia anterior e reveladora duma compreensão ainda imperfeita da verdadeira adoração devida a Deus. “Em espírito” implica igualmente a mortificação de tudo o que é ainda “tendências da carne” em nós, para que possamos adorar ao Senhor segundo a Revelação perfeita que temos agora em Jesus Cristo, ou seja, para que possamos adorar a Deus “em Verdade”.
Primeiro vieram as “novas traduções”, segundo o método chamado “dinâmico”, o qual não tem na devida conta a inspiração “verbal” das Escrituras. Em seguida, ou até já antes, surgiram as “traduções livres” da Bíblia, a maior parte das quais tem como alvo confessado: “Despir a Escritura do seu vocabulário religioso e teológico, e revesti-la duma linguagem actualizada, do homem mundano”. Obviamente que despir a Bíblia da sua linguagem “religiosa” é esvaziá-la da inspiração Divina e torná-la um livro banal. Mal refeitos destas etapas profanadoras das “Sagradas Escrituras”, vemos alguns querendo fazer tábua rasa do essencial e pretendendo colocar no mesmo saco aqueles que crêem na inspiração verbal das Escrituras e aqueles para os quais a Bíblia é apenas um livro histórico de grande importância para o conhecimento e estudo da cultura e civilização Ocidentais... Mas há ainda uma “bomba” maior: a Bíblia transfigurada em novo “jornal desportivo”! Pelo menos ao vermos alguns “Novos Testamentos” publicados recentemente, a primeira reacção é a de que estamos perante uma publicação editada por algum dos jornais desportivos da nossa terra... Quando a evangelização esquece o essencial, que é na diferença e não na identificação ou conformação com o mundo que se revela Cristo e se é usado por Deus precisamente para transformar o mundo; e que sem a santificação ninguém verá o Senhor... quando a evangelização esquece esta realidade revelada na Bíblia inspirada por Deus, que frutos poderão advir?... Há dias atrás ao ver os tais “novos testamentos desportivos”, dei comigo a pensar: se alguns dos nossos antepassados, pioneiros da evangelização em Portugal, ressuscitassem e vissem o que eu estou a ver, qual seria a sua reacção?... A globalização antecede a criação de um governo mundial que controlará todas as nações, reduzindo-as a simples províncias deste Império único e universal. Então estarão criadas as condições necessárias e suficientes para a instauração do Reino do Anticristo. Este cenário, porém, não se circunscreve ao mundo político e social, abrange igualmente a Igreja de Cristo, em todos os seus ramos ou denominações. E, enquanto os líderes espirituais permanecem, na generalidade, apáticos e sem discernirem o que está de facto por detrás dos acontecimentos e planeamentos em curso no nosso meio Evangélico, está a ser fomentado um processo semelhante de globalização espiritual e eclesiástica. As Igrejas estão a perder a sua autonomia em favor duma direcção centralizada que, sob a ingénua e “bem intencionada” tentativa de estimular e encorajar as actividades de cada igreja local, não faz mais do que impor subtilmente uma orientação e uma definição de alvos estratégicos para a evangelização “à sua maneira”. Chegando mesmo a declarar a sua disponibilidade (do organismo central) para “ajudar a definir e a proclamar a mensagem profética” que, pensamos, cada igreja deveria receber de Deus por meio da Sua Palavra e pelo Seu Espírito… Sabendo nós que na liderança desta globalização espiritual estão em maioria forças de cariz “carismático”, não nos restam dúvidas sobre o significado desta centralização… Estejamos alerta. Aproximam-se dias de difíceis e desgastantes combates… Mas, se Deus é por nós…! Vive-se uma época em que não existe o temor do Senhor no coração dos homens e, mais grave ainda, no coração da maior parte daqueles que dizem crer em Jesus Cristo. Tendo em conta que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria talvez encontremos na ausência deste temor a explicação para tantas loucuras e profanações que actualmente se cometem no chamado “meio Evangélico”. Quando igrejas se transformaram em verdadeiros estádios para acolherem em ecrãs gigantes os jogos do “Euro”; quando se encheram os “Novos Testamentos” de testemunhos dos ídolos das multidões, colocando-os ao mesmo nível dos textos inspirados; quando cultos foram antecipados ou mesmo anulados para que ninguém perdesse o jogo da “selecção”… quando tudo isto aconteceu em igrejas ditas “evangélicas”, que outra explicação podemos encontrar senão a de uma óbvia ausência do temor de Deus no coração dos homens?... E o mais dramático é que tudo foi feito com o apoio da maior parte dos líderes espirituais de igrejas e movimentos “Evangélicos”… É fácil e reconfortante dizermos que tudo isto não é mais do que o cumprimento das profecias relativas à apostasia dos últimos tempos. No entanto não deixa de ser tremendamente triste, pois o cumprimento das Escrituras nunca invalidou a responsabilidade humana nos acontecimentos da história, e isso leva-nos a olhar com apreensão o futuro da Igreja nesta peregrinação terrena… Sabendo, porém, que seja qual for esse futuro, os verdadeiros crentes, o remanescente fiel, aqueles que possuem ainda o temor do Senhor, por muito que venham a sofrer, herdarão o Reino eterno de glória que Cristo prometeu aos que Lhe forem fiéis até à morte. Cada um de nós é livre para ter as suas convicções, e é bom que as tenha bem firmadas no ensino das Sagradas Escrituras. Devemos esforçar-nos por sermos honestos e sinceros no nosso relacionamento uns com os outros. Vem isto a propósito de algo que está a passar-se com certa frequência em algumas das nossas igrejas Baptistas, e que já testemunhamos pessoalmente na igreja local onde servimos a Deus: de repente surgem no nosso meio "irmãos", vindos geralmente do estrangeiro, afirmando pertencerem a determinada igreja Baptista e mostrando o desejo de se tornarem membros da nossa igreja local. Por vezes verificamos que esses irmãos pertencem de facto a uma igreja "da mesma fé e ordem" da nossa, e é com muita alegria que os recebemos no nosso seio. Acontece, porém, e cada vez com maior frequência, que nem sempre esses "irmãos" pertencem a igrejas genuinamente Baptistas embora algumas conservem ainda esse "rótulo" enganador. O seu desejo íntimo, por vezes declarado até em particular, é transformar as nossas igrejas de acordo com as suas igrejas de origem, geralmente de cariz carismático e ultra-pentecostal. Infelizmente verificamos que em muitas das nossas igrejas têm conseguido esse alvo, descaracterizando-as totalmente de modo que, embora não mudem de nome, já não podem ser chamadas, à luz da história e da fé, de igrejas Baptistas. Voltamos a repetir, cada um de nós é livre para examinar as Escrituras e ter convicções pessoais sobre o ensino bíblico nas áreas de divergência denominacional, mas deve respeitar as convicções dos outros, e embora possa e deva estar sempre preparado para dar as razões da sua fé e convicções, não deverá procurar infiltrar-se mais ou menos subtilmente no seio duma igreja com a qual não concorda doutrinariamente a fim de levá-la a apostatar das suas convicções históricas e a enveredar por liturgias espúrias. Infelizmente o problema não vem só de fóra, pois se os líderes espirituais tivessem convicções denominacionais este perigo não seria tão grande e nefasto como é...O facto, porém, de verificarmos como são já em grande número as igrejas Baptistas que foram descaracterizadas e perderam as suas convicções bíblicas deste modo, leva-nos a lançar este alerta geral à Denominação. Isto porque cremos que, à luz da Bíblia, as nossas convicções de fé são correctas e devem ser preservadas. É impressionante e preocupante verificarmos a enorme influência que o mundo está a ter sobre as igrejas. Temos encontrado crentes de várias congregações que nos confessam com tristeza a sua amargura pelo facto de as suas igrejas já não serem o que eram. E invariavelmente o problema está no tipo de culto que se faz agora nessas casas de oração. Cultos onde não há lugar para a reverência e solenidade, nem para os belos hinos do Cantor Cristão ou do hinário tradicional da igreja. O que está na moda são os chamados grupos de louvor constituidos quase sempre por jovens sem qualquer maturidade espiritual, pelo menos a maioria deles, alguns nem ainda sequer foram baptizados e frequentam há bem pouco tempo a igreja, nada sabendo sobre o significado do culto evangélico, nem tendo qualquer experiência, nem consciência do que é um tal culto. Para tais jovens o culto é mais uma diversão, um momento alegre em que podem tocar e cantar o que lhes agrada, sem qualquer sentido do verdadeiro louvor e da adoração que Deus requer. Eis o que nos confessam com amargura aqueles crentes que conheceram as suas igrejas quando os cultos eram dirigidos pelo pastor ou por uma pessoa espiritualmente idónea, e o louvor congregacional era profunda e genuinamente espiritual, a música era sacra e não mundana, os hinos tinham o selo duma experiência vivida na comunhão com Deus, a atmosfera era de reverência e duma alegria sadia, onde havia momentos de silêncio na congregação para escutar a mensagem bíblica e meditar profundamente na Palavra de Deus. E acrescentam: agora nem nos podemos concentrar sequer no louvor, pois o barulho dos instrumentos, em que predomina a bateria, e o estrepitar constante das palmas impedem qualquer concentração, qualquer possibilidade de elevarmos o nosso coração e a nossa mente até Deus ou de ouvirmos a Sua voz.
Que o Senhor continue a preservar a nossa igreja de tal calamidade.
As Igrejas Baptistas são organizadas segundo o modelo das Igrejas Cristãs que encontramos no Novo Testamento, e os seus cultos sempre procuraram manter-se fiéis aos padrões de simplicidade e fervor espiritual que foram ensinados pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo a essas igrejas. Do estudo do Novo Testamento ficamos a saber que os cultos nas igrejas apostólicas consistiam basicamente no cântico de hinos e salmos, orações de intercessão e de louvor, leituras das Escrituras e prégação ou estudo bíblico, tudo feito com ordem e decência ou dignidade. Por isso, as Igrejas Baptistas sempre pugnaram por cultos que se identificassem com esta orientação apostólica, primando pela simplicidade aliada a uma profunda espiritualidade, a fim de que o nosso Deus seja adorado, como Ele requer, em espírito e em verdade. Lamentamos que nos nossos dias as igrejas estejam a perder o sentido desta orientação apostólica, afastando-se da simplicidade Evangélica e buscando muitas vezes um tipo de liturgia que tem muito mais a ver com uma visão mais teatral ou espectacular dos cultos e festas religiosas que predominavam no Velho Testamento. E o pior ainda é que, na maior parte das vezes, o que move os crentes, sobretudo na área do louvor, é um desejo de conformação com o mundo e de satisfação dos impulsos carnais, sendo os textos do Velho Testamento citados apenas como algo que, aparentemente, justifica e como que "santifica" essa atitude. Mas se cremos que a Revelação de Deus aos homens é gradual ao longo dos tempos e atinge a plenitude em Jesus Cristo, então essa realidade tem de ser aplicada igualmente ao modo como os homens cultuam a Deus.
MUDANÇA OU APOSTASIA?
Tendo sido gerado, nascido e criado no seio duma Igreja Baptista sempre me identifiquei com a simplicidade associada à solenidade e reverência que caracterizam o genuíno culto Evangélico. Creio que se os apóstolos estivessem entre nós seria num culto assim que teriam prazer em participar. É pois com tristeza e apreensão que vejo as profundas mudanças introduzidas nesse culto. É óbvio que as mudanças são inevitáveis, fruto da contínua mudança do mundo e da sociedade em que vivemos. Não é a mudança em si que pomos em causa, mas sim o tipo de mudança que está em curso. Cantar novos hinos é benéfico e enriquecedor, embora não devamos esquecer os belos cânticos do passado que, quando entoados nos unem em comunhão espiritual a todos os nossos irmãos que nos antecederam e através deles proclamaram a sua fé, tal como nós hoje também a proclamamos. Assim continuamos todos unidos na mesma fé e ordem no serviço do Senhor. Contudo, repetimos, não é a mudança que está em causa, mas sim a degradação e aviltamento das novas formas de louvor que vêm substituir a anterior ordem do culto Evangélico. Cada Denominação terá a sua óptica proveniente da sua própria experiência no que concerne a este problema litúrgico, quanto a nós que continuamos a crer que a ordem tradicional existente até aqui nas Igrejas Baptistas Conservadoras era a mais consentânea com a simplicidade e reverência que transparecem dos cultos do Novo Testamento, não podemos deixar de manifestar a nossa indignação e repúdio pela forma como tais cultos estão a ser literalmente banidos do nosso meio e substituidos por formas de culto estranhas não só à Denominação, mas também ao genuíno louvor Cristão, tal como nos é revelado nas Igrejas do Novo Testamento. Tememos que a profecia que alguém fez outrora se esteja a cumprir... Estava-se então naquilo que chamaram a 1ª vaga (da apostasia, dizemos nós) e já então algumas igrejas se deixaram contaminar. Depois veio uma 2ª vaga e mais igrejas ainda foram arrastadas pela turbulência da apostasia. Alguém disse que uma 3ª vaga eclodiria arrastando consigo o restante das Igrejas Evangélicas que até ali tinham permanecido fiéis na fé, na sã doutrina e na sã liturgia. Peçamos a Deus que, se Lhe aprouver, use aquelas que ainda permanecem fiéis para que tal profecia se não cumpra.
UMA EMERGÊNCIA
Falemos hoje de algumas premissas morais e culturais que estão na moda, como por exemplo: que a moralidade é simplesmente uma questão de gosto pessoal; que todos os silêncios precisam de ser preenchidos com a tagarelice humana ou com música de fundo; que é melhor sentir do que pensar; que os direitos são mais importantes do que as responsabilidades; que desejos equivalem a necessidades; que é melhor para um prégador ser eloquente e divertido do que ser fiel à Palavra de Deus; e, finalmente, uma premissa realmente generalizada é a de que o “ego” existe para ser expressado e mimado, mas não disciplinado ou contido e, portanto, o auto-controlo é para gente “quadrada”. Muitas destas tolices da moda reflectem formas infantis de frustração: uma irritação contra as restrições ou proibições; uma falta de prontidão em assumir responsabilidades; uma indisposição para fazer coisas que não sejam divertidas; o idolatrar dos melhores atletas e palhaços da actualidade... E estas tolices da moda não as podemos ignorar, pois estão continuamente à nossa volta, na televisão, nos empregos, nas escolas, e até mesmo nalguns cultos das nossas igrejas. Como combater todas estas tolices? Como evitá-las na nossa vida e nas nossas igrejas? Voltando ao básico! Toda a tolice é ausência de sabedoria, e a Bíblia revela-nos que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria: aquele misto de amor e respeito para com Deus, o reconhecimento de que não se pode brincar com Deus, nem zombar d’Ele. As pessoas tementes ao Senhor sabem que o Altíssimo merece de nós as formas mais sacrossantas de adoração e devoção que possamos aprender. É exactamente pelo facto do temor do Senhor estar na base de toda a sabedoria que a perda desse temor no nosso culto e na nossa vida conta como uma emergência
O MOMENTO DA VERDADE Sempre que atravessou uma crise na sua história a Igreja só conheceu um genuíno reavivamento quando se voltou de novo para a Palavra de Deus. A função profética autêntica consistiu e consiste sempre, sob a inspiração e a direcção do Espírito Santo, em chamar o povo de Deus, quando ele vive no erro, a um retorno à Escritura Sagrada, a deixar-se julgar e salvar por Ela, reconhecendo a Sua plena autoridade e conformando-se com o que Ela diz. Ao fim de um longo período de contínuas derrapagens, de revolta e de afastamento da Verdade, no momento em que depois de seguirmos os falsos sentidos e contra-sentidos, primeiro do Liberalismo Teológico, negador da Escritura, deificador da razão e da ciência humanas, que se arroga o direito de criticar e julgar a própria Palavra de Deus; e agora do Carismatismo, impulsionador duma vivência alienatória firmada em sonhos, visões e experiências particulares que afastam os homens da verdade objectiva revelada na Sagrada Escritura, tendo atingido assim o tempo do “sem sentido” ou absurdo, chegou a altura da Igreja dizer BASTA! Voltemos à Palavra de Deus revelada nas páginas da Bíblia! Deixemo-nos orientar por Ela, deixemos que o Espírito Santo, que A inspirou, nos fale e nos dirija também a nós através d’Ela, para que possamos viver na obediência à vontade de Deus, na Luz da Verdade que emana da Bíblia, para que na Sua Luz vejamos a Luz, pois só a Bíblia, pelo poder do Espírito Santo, nos revela Jesus Cristo e nos conduz a Ele a fim de sermos salvos.
A FALÁCIA LIBERAL É vulgar ler nos escritos de certos teólogos liberais afirmações que pretendem opôr a Palavra de Deus Pessoal, o Verbo eterno que é Jesus Cristo, à Palavra de Deus escrita, a Bíblia ou Sagrada Escritura. Afirmam que a Palavra de Deus não é um Livro, mas sim uma Pessoa.! Obviamente que o “Logos” de Deus é Jesus Cristo, portanto uma Pessoa, mas a falácia está na ilação de que, por esse motivo, a Bíblia não pode ser a Palavra de Deus. De facto, nós actualmente só conhecemos a Jesus Cristo por meio da Sagrada Escritura, a Qual sendo escrita por homens foi plenamente inspirada pelo Espírito Santo e é também Ela a Palavra que vem de Deus revelando aos homens a Pessoa de Jesus Cristo.! De tal modo que nós hoje não temos outro conhecimento àcerca de Jesus Cristo e dos Seus ensinos senão pela Revelação que Ele nos dá de Si mesmo na Sua Palavra escrita. Por isso, constitui um embuste de Satanás pretender desvalorizar o testemunho bíblico opondo-o ao testemunho dado por Jesus Cristo, pois a Bíblia é o único Testemunho genuíno que possuímos d’Aquele que é a Fiel e Perfeita Testemunha de Deus.! O alvo de Satanás é bem claro, basta ver nos mercados livreiro, teatral e cinematográfico as imensas “revelações” enganosas e, muitas vezes, blasfemas de falsos “cristos” que querem fazer passar pelo nosso Salvador e Senhor. Os tais “falsos cristos” que, segundo o próprio Senhor, viriam a aparecer em abundância nos últimos tempos…! Portanto, se quisermos permanecer firmes na fé e no conhecimento do Verdadeiro Jesus Cristo, o único Salvador e Senhor da humanidade, temos de recorrer ao Testemunho escrito de homens que foram para o efeito Divinamente inspirados, ou seja, temos de recorrer à Revelação Bíblica.! Só quem permanece firme nos ensinos da Bíblia, permanece firme em Jesus Cristo e pode também ser fiel testemunha do Senhor Jesus.
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